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Privatização: Lutar para combatê-la!

22/01/2019 22:49:45  

Quanto ao futuro que vão tentar nos impor, somente devemos temê-lo se não estivermos dispostos a enfrentar o presente. É nossa responsabilidade fazer o governo deixar para as “calendas gregas” (data inexistente) qualquer processo de privatização do nosso Sistema Penitenciário.

O presente nos sugere uma obsessiva união de todos os setores da nossa categoria (Turma de Plantão, administrativo, grupamentos, área técnica, operacionais, inteligência). Como entidade de classe vamos expor ao governo todos os argumentos contrários ao processo de privatização, seja ele em qualquer modelo. Em hipótese alguma dispensaremos o diálogo e, como de praxe, de modo exaustivo. Entretanto, não sucumbiremos jamais a qualquer tentativa de impor à nossa categoria medidas de desvalorização. E, principalmente, que nos coloque como bode expiatório de processo de privatização cujo objetivo principal é unicamente o lucro.

Para além do discurso do governo, de que a privatização seja a solução para o problema do Sistema Penitenciário, temos que entender que “o capital” enxerga no efetivo carcerário brasileiro uma demanda reprimida e o Rio de Janeiro é a terceira população carcerária da Federação. O esfacelamento do sistema público com o déficit de vagas e as condições das prisões “sugerem” uma intervenção dos novos governantes com o velho discurso de que tal modelo trará mais dignidade ao cumprimento da pena, possibilitará ao preso uma qualificação profissional para uma vida melhor depois de egresso e, consequentemente, um barateamento do custo para os contribuintes . Falácia, falácia, falácia!

Não é preciso ser muito inteligente para ver que por detrás de um discurso bem elaborado a verdadeira intencionalidade de governantes que advogam interesses de empresas visam lucrar com um dos custos sociais mais caros à sociedade. Manter prisões é, e sempre será, algo com alto custo tanto social como econômico-financeiro. Porém substituir o Estado pelo particular nesse mister, além das questões jurídicas imbricadas, têm questões éticas às quais parecem intransponíveis.

Já quanto aos nossos interesses como servidores do Sistema Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro não podemos ficar reféns de um discurso falacioso do governo, como se tivesse a panacéia para os problemas, quando na verdade escamoteia seu objetivo. É evidente que essa é mais uma metamorfose dos interesses econômicos os quais pretendem abocanhar fatia significativa de recursos públicos pouco se importando com os resultados que não sejam os altos lucros.

Não nos resta alternativa senão reunirmos força com toda veemência para impedirmos que tal processo seja deflagrado pelo governo. Se num passado recente lutamos por salário, décimo terceiro e para impedir um aumento de 3% em nossa contribuição previdenciária, o presente nos impõe demonstração de força, unidade e perseverança, para que no futuro não amarguemos o enfraquecimento da categoria ao nível de torná-la dispensável, ociosa, desnecessária.

Fique atento porque em breve você será convocado à luta pela sua própria sobrevivência. Exatamente, sobrevivência!