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PODER PRA QUÊ?

22/04/2018 14:04:58  

 

A representação política se dá no campo da ação, deixando seus meandros teóricos para a Filosofia Política e para a Ciência Política. A Ciência Política, como estudo, dedica-se aos sistemas políticos, às organizações e aos processos políticos. Dedica-se também ao estudo das estruturas e de suas mudanças, assim como análises de governo. Entre os focos de atenção dos cientistas políticos podem estar empresas, igrejas, sindicatos e vários outros tipos de organização dotados de estruturas e processos que se aproximem de um governo.

Levando-se em conta a estrutura e o processo de organização de nossa entidade sindical vê-se, claramente, que a forma de atuação de nossa Diretoria mudou profundamente a governança. Outrora, o Sindicato era uma entidade fechada em si mesma, não dialogava com outras instituições, ao ponto de não ser fonte de informação para quem procurasse conhecer os meandros do Sistema Penal, inclusive a estrutura era tão arcaica que reproduzia no próprio site da entidade matérias produzidas por outros veículos de comunicação, como jornais e sites, quando na verdade deveria ser o contrário. Antes, a instituição sindical se voltava para dentro do próprio Sistema como se todas as mazelas vivenciadas pelos servidores penitenciários e reverberadas para toda a sociedade fizessem parte de uma estrutura e processos originados no próprio sistema penal. 

Somos os custodiadores daquilo que Zigmunt Bauman, no livro “Vidas Desperdiçadas” chama de refugo humano, lixo humano, dejetos. Pessoas que como tantas outras sofrem o processo de degeneração social antes de abarcarem no sistema penal, e que tem nas prisões mais um campo depositário daqueles dejetos, pois existem outros.

Percebe-se que entender essas estruturas e processos políticos que conduzem a sociedade para esse abismo da pós-modernidade, e que tem no sistema penal sua mais clara representação, é uma construção a qual os representantes sindicais têm que interpretar e debater com seus pares e com as instituições para não sobrecarregarem o papel que cumpre a quem representamos. Com isso, uma representação sindical tem de defender interesses individuais e coletivos; sociais e econômicos, além de potencializar as reivindicações com conhecimento sobre as relações de poder a partir do universo humano em que está inserido, que não é tão somente manipular chaves e cadeados.

O Sistema Penal precisa ser desvelado para uma sociedade que fecha os olhos para o refugo que produz e o momento propício é agora. O Brasil e o Rio de Janeiro vivem um quadro de violência extrema e o nível de corruptividade na sociedade é alarmante, não é por outro motivo que vivenciamos um processo de total descrédito nas instituições. Na verdade o Sistema Penal é a reprodução fiel de uma estrutura e processo de poder carcomido, putrefato e corrompido, pois a causa não se originou nele. O crime não está somente na base da pirâmide social. O flagelo da Saúde, da Educação e da Segurança Pública está nos crimes dos altos escalões dos Poderes e na imoralidade de agentes públicos que hipocritamente pensam que os seus auxílios, porque legais, lhes dão ares de corretos, justos. Esquecem que o processo de formação das leis pode ser legítimo, porém se imorais repercutem fatores reais de poder que verdadeiramente não são do povo, apesar de consignado na Carta Magna. E por falar nela, pra que serve?!

Foto: Divulgação uniaonoticias