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Somos vítimas dos maiores interessados pela privatização dos presídios, diz Sindicato dos Vigilantes

01/09/2019 17:34:00  

A diretoria do Sindicato dos Vigilantes do Rio de Janeiro (Sindvig RJ) esteve presente à Audiência Pública na Alerj, que ocorreu no dia 29 de agosto e debateu sobre o tema "Privatização de Presídios".

O presidente do Sindvig RJ, Antonio Carlos de Oliveira, agradeceu às deputadas Mônica Francisco e Renata Souza pelo convite para participar do debate e falar em nome dos trabalhadores da Segurança Privada. "Agradeço pelo convite porque a categoria dos vigilantes jamais foi convocada para essa Alerj, para participar de debates, mesmo quando a categoria está diretamente envolvida. Por diversas vezes citaram a categoria dos vigilantes, inclusive no que diz respeito à formulação do Projeto de Lei, mas em nenhum momento nós fomos convocados para discutir o que está sendo discutido na Alerj e prestes a ser votado aqui pelo plenário da casa. Assim como não fomos convocados quando aprovaram o Projeto de Lei do RAS, que é o Regime Adicional de Serviço de policiais militares e policiais civis, que no caso dos policiais militares significou a perda de centenas de postos de trabalho dos vigilantes em áreas privadas, em serviços típicos da segurança privada, onde os vigilantes foram substituídos por policiais militares que estavam ali fazendo “bico” oficial. Ao meu ver, de maneira equivocada porque o policial militar tem que ter o seu salário digno, seu soldo digno, para que não tenha que fazer regime adicional de serviço, e quando ele estiver na rua trabalhando para o Estado e para a população, ele estar ali esgotado e não nas devidas condições para prestar o serviço à nossa sociedade", ponderou Antonio Carlos.

 

O presidente do Sindvig destacou que os vigilantes foram jogados no desemprego pela Alerj, sem que em nenhum momento fossem convocados para participar de debate. "Ninguém mais do que a categoria dos vigilantes tem muito a dizer nesse projeto. Porque nós já somos vitimas dos maiores interessados pela privatização dos presídios, há muitos anos. Porque muitos deles já atuam em empresas de segurança privada. Muitos deles são donos de empresas de segurança privada e milhares são os vigilantes que estão hoje sem salário, sem verbas rescisórias, sem Fundo de Garantia, sem INSS, porque essas empresas deram calote nos trabalhadores", disse.

Antonio Carlos destacou, ainda, que "o cliente preferencial dessas empresas de segurança privada é o próprio Estado do Rio de Janeiro, que em nenhum momento olhou pelo vigilante terceirizado, precarizado, explorado, pai de família, que também está na luta para garantir o seu emprego". Ele citou também que esteve no Ministério Público do Trabalho juntamente com a diretoria do Sindicato dos Vigilantes, Federação dos Vigilantes, Contrasp, e demais entidades sindicais representativas da categoria, discutindo sobre os 400 vigilantes que prestavam serviço para o Detro, para a Secretaria de Fazenda, Tribunal de Contas, que (segundo informou) saíram com “uma mão na frente e outra atrás”.

 

"E aonde estão os direitos humanos dos nossos trabalhadores?", questionou aos deputados sobre os vigilantes explorados pelo próprio Estado. "Estamos aqui hoje dizendo que a categoria (de vigilantes) não quer ocupar o espaço de nenhuma outra categoria. Evidentemente que, diante de um quadro de desemprego brutal que assola todos os trabalhadores, em especiais trabalhadores terceirizados como nosso, uma proposta que surge como milagrosa, dizendo que vai criar milhares de empregos, a categoria vai sempre ver com bons olhos porque vai tentar se apegar a essa tábua de salvação. Mas, não é esse o papel dos vigilantes, não é isso que pretende os vigilantes", ressaltou.

 

"O vigilante é aquele que numa porta de Banco, quando a porta trava, é conduzido à Delegacia quando se trata de um funcionário público, porque ele entende que foi desacatado, porque ele entende que houve desobediência. Nós não temos garantias e prerrogativas para poder trabalhar numa porta de Banco. Porque, quantos foram os trabalhadores conduzidos à Delegacia por desacato, por desobediência, porque se tratava de um servidor público que nem sequer queria se identificar e queria entrar armado dentro da agência bancária. Se nós não temos as nossas garantias, as nossas prerrogativas dentro de uma agência bancaria, como que um Projeto de Lei discute a presença do vigilante (em serviço penitenciário) sem discutir garantias e prerrogativas para que a gente possa exercer qualquer função aqui no Estado do Rio de Janeiro? Estou aqui para dizer que não somos inimigos, que nós não estamos querendo ocupar o lugar de ninguém e que a categoria também é vítima desse sistema brutal que está instalado hoje na Administração Pública, com licitações fraudulentas através do Pregão (aproveitando aqui a presença do Ministério Público. Como pode o Estado fazer licitação para mão-de-obra, através do pregão, onde o que vale é o de menor preço, é um leilão de cabeça para baixo porque vale o menor preço. E o preço é quase sempre inexequível e vai o vigilante, com toda a certeza, sair com “uma mão na frente e outra atrás”.

 

O presidente do Sindicato dos Vigilantes aproveitou a palavra do secretário de Administração Penitenciária, ao dizer que os inspetores penitenciários foram talhados no fogo, para ressaltar que assim como os isaps, os vigilantes também. "Talhados no fogo cruzado das ruas, e em todas as missões de Carro Forte, da Agência Bancária, e estão à disposição para defender os interesses da sociedade", assim como todos os demais profissionais  de cada área presente à Audiência Pública.

 

Veja em https://www.youtube.com/watch?v=hD_gDoV6fIA&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2evXdm99cHsRUL3KQryfmI3pfexksGkgoBulRq_cfpsU9PdFXPDYb-jW0

https://youtu.be/hD_gDoV6fIA