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A COMPETÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

16/07/2019 18:38:58  

Atualizada em 19/07/19

 

São 2085 presos do regime semiaberto no Instituto Penal Vicente Piragibe, que possui um perímetro de 10 mil m², no Complexo Penitenciário de Gericinó. O dia inteiro soltos no campo de futebol e na área comum aos pavilhões, sob a custódia de 2 inspetores penitenciários da turma de plantão que atuam diretamente com o efetivo carcerário, enquanto outros 4 se desdobram na cobertura de mais de uma dezena de outros postos. Apenas à noite os presos voltam para as celas (que não têm portas), e permanecem trancados pela porta do pavilhão após o confere, que é a contagem diária dos presos que acontece também na assunção do novo plantão, a cada manhã.

 

No trabalho conjunto realizado com o setor de inteligência da Subsecretaria Operacional da Seap foi encontrado um túnel nos fundos da unidade prisional, num local de difícil acesso e fora do campo de visão dos postos guarnecidos pelos inspetores penitenciários. Foram encontrados também toneis enterrados com celulares, munição, droga, aparelho de Wi-Fi, e 4 serras. A apreensão foi registrada na 34ª Delegacia de Polícia, em Bangu, e aberta uma sindicância.

 

Um outro túnel já havia sido encontrado em 2013, feito por detentos que tinham autorização da Justiça para trabalhar nas tubulações de esgoto por onde fugiram, mas que foram recapturados. A abordagem televisiva sobre o túnel do Instituto Penal Vicente Piragibe, feito em 2019, é mais um capítulo sim, mas do que interessa a alguns expor do Sistema penitenciário do Rio de Janeiro. Na matéria exposta na TV, a descoberta do túnel e dos materiais apreendidos foi encarada como ineficiência de uma categoria na verdade massacrada, propositalmente sucateada, impedida pelos governos de apresentar o trabalho de excelência que só ela é capaz de fazer, a exemplo das milhares de apreensões que foram realizadas nos últimos quatro meses da atual gestão. Tal abordagem equivocada da matéria perpetua uma invisibilidade da qual os inspetores penitenciários são acometidos e a inobservância do importante serviço estatal que a categoria de inspetores penitenciários desempenha na Segurança Pública.

 

Foto: Reprodução

 

A descoberta do túnel se deu a partir de um trabalho conjunto do setor operacional da Seap e de Inteligência que aguardaram o momento preciso para estourar os toneis. Monitorados há dias, para alcançar 100% de êxito na operação que foi realizada sem qualquer estresse. No segundo dia de operação, além do acompanhamento da Corregedoria, foram utilizados cães farejadores do Grupamento de Operação com Cães (GOC) e apoio de equipes de zeladorias de outras unidades prisionais, com ferramentas adequadas, quando foram identificados mais materiais enterrados em uma área de vegetação considerada ponto  cego da unidade prisional. O material foi encontrado atrás do pavilhão “A”, local de difícil acesso, sem visualização dos postos, uma vez que só trabalham no "miolo", em contato de "convivência" diária com os presos, de 1 a 2 inspetores penitenciários.

 

O DIAGNÓSTICO

“Não é normal não se ter apreensões. Não é normal se entrar numa galeria e ver meliantes ostentando símbolos fáticos de poder”, respondeu o secretário de Estado de Administração Penitenciária, coronel Alexandre Azevedo, ao seu entrevistador.

A atual gestão realizou um diagnóstico de como se encontrava o Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro e começou a fazer operações diárias com seus servidores, além de investir em tecnologia para alcançar melhores resultados, a longo prazo. Foram lançadas três operações: a “Asfixia” saltou de 3 mil apreensões de celulares para 6 mil, num processo de verificação diária para identificar e metrificar todas as portas de entrada de materiais ilícitos. A operação “Iscariotes” identificou e prendeu 10 maus servidores, só nos primeiros meses de 2019. Ao contrário do ano passado que não registrou nenhuma prisão de servidor. Também a operação “Bloqueio” já prendeu cerca de 40 familiares de presos, que tentaram entrar com materiais ilícitos nas unidades prisionais. E tais operações e resultados são fruto da política de trabalho da atual gestão penitenciária e apoio operacional.

 

Questionado sobre a falta de investimentos de governos anteriores nos presídios, Alexandre Azevedo destacou que faltou por parte dos gestores um trabalho macro na Segurança Pública, em que os presos parem de cometer crimes de dentro das unidades prisionais e sejam divididos por níveis. E, terceiro, a capacitação do preso para voltar a conviver em sociedade. 

Sobre a ressocialização do preso na atual gestão, Azevedo informou que no Sistema existem 18 mil presos com idade entre 18 e 24 anos. E afirmou que ao final do ano pretende apresentar “porta de saída”.

“A recuperação do preso passa por uma escolha pessoal. É do ser humano. Ele pode escolher voltar a delinquir e vai voltar a ser preso”, disse o secretário e exemplificou. “Dois irmãos, da mesma família: Um vai para a delinquência e o outro não. Mesma realidade social, mesmo processo de formação. Qual a diferença? A escolha. Como ele enxerga e se adapta à realidade”.