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INSPETORES PENITENCIÁRIOS DESCOBREM UM TÚNEL NO VP. VAI ENTENDER?!

16/07/2019 13:25:45  

No Instituto Penal Vicente Piragibe, durante o dia os presos circulam livres pelo campo de futebol e áreas comuns dos pavilhões. Dois inspetores penitenciários (desarmados) fazem a segurança e vigilância do efetivo carcerário de 2.085 presos.

 

Pensa: Uma unidade prisional inaugurada em 16 de fevereiro de 1979, numa área interna de 10 mil m², com capacidade de 1564 vagas, mas que possui 521 presos acima de sua lotação, somando uma população carcerária de 2.085 presos de altíssima periculosidade, da facção mais letal do Rio de Janeiro. Distribuídos em 6 pavilhões, com 42 celas coletivas (sem portas), em semiaberto, regime cujos presos considerados de bom comportamento têm autorização judicial para sair à rua em datas comemorativas específicas e feriados, no chamado benefício de “Visita Periódica à Família - VPF".

Apenas 2 inspetores penitenciários, por turma de plantão, fazem o trabalho de contagem diurna e noturna dos presos, controle da movimentação, revista e disciplina frente-a-frente com essa massa carcerária. Fora uma dezena de outros postos de serviço e vigilância, divididos entre 4 outros inspetores penitenciários da turma de plantão e um sistema de câmeras antigas e extremamente ineficazes. Mas isso não é tudo, fora os procedimentos burocráticos e outras atividades da intensa rotina de trabalho numa unidade prisional, os inspetores penitenciários ainda têm que fazer a vigilância, revista e controle da movimentação de dezenas de servidores terceirizados, professores, advogados, e centenas de visitantes (amigos e familiares de presos, idosos, adultos, jovens, adolescentes, crianças e até bebês recém-nascidos) que frequentam a unidade prisional todos os dias. Além do recebimento, revista e distribuição de mais de 8 mil refeições diárias, remédios, correspondências e outras “sucatas”, como produtos de higiene pessoal e limpeza, colchões, roupa de cama e vestuário trazidos pela família do preso.

 

O TÚNEL

 

Mesmo diante de todas as adversidades e falta de estrutura de trabalho, no dia 27 de junho de 2019, inspetores penitenciários num trabalho de Inteligência da Subsecretaria de Gestão Operacional da Seap, juntamente com a Superintendência de Segurança e Coordenação das Unidades Prisionais de Gericinó obstaram a continuação da escavação de um túnel já com 10 metros de extensão, em ponto cego do perímetro interno da unidade prisional. Também, descobriram e desenterraram toneis de vários tamanhos onde presos esconderam munição, drogas, celulares, aparelho de Wi-Fi, serras e uma blusa de inspetor penitenciário.

 

Tal desempenho deveria ser admirável, mas as dificuldades que tornam o trabalho hercúleo são ignoradas pelas mesmas pessoas que, surpresas, dizem não entender como é possível tantos materiais ilícitos serem encontrados dentro de unidades prisionais sucateadas pela falta de estrutura, falta de investimentos e de políticas de governos que se sucederam ao longo de anos de descaso com o Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro.

 

 

EXCELÊNCIA QUE CADEÓLOGOS NÃO ENTENDEM

Essa é a realidade do Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde mais de 2 mil presos “vigiam” 6 inspetores penitenciários da turma de plantão, mas que apesar de todas as adversidades e reduzido efetivo funcional eles podem se orgulhar pela capacidade de identificar e frustrar uma possível rota de fuga e ainda manter a rotina carcerária sob controle durante a intervenção especializada de servidores da própria categoria, numa operação que durou dois dias. Além da rotina de diversas apreensões de materiais ilícitos e prisões, resultantes da atividade policial penitenciária de excelência que fazem.

 

 

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