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Museu Penitenciário no roteiro cultural nacional tem exposição de 13 a 19 de maio

08/05/2019 20:00:07  

Incluído no roteiro cultural de Museus

 

Criado em 29 de agosto de 2011, o Museu Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro participou da 6ª Primavera de Museus patrocinada pelo Ibram em 2012, com a exposição intitulada "Apreensões". A nova sede foi inaugurada em 31 de janeiro de 2017 com a exposição "As prisões ao longo da história". 

 

De 13 a 19 de maio acontece a 17ª Semana Nacional de Museus – SNM, temporada cultural promovida pelo Ibram em comemoração ao Dia Internacional de Museus (18 de maio). Nessa edição, 1.114 instituições de cultura de todo o país oferecem ao público 3.222 atividades especiais, como visitas mediadas, palestras, oficinas, exibição de filmes e muito mais! 

 

VISITE O MUSEU PENITENCIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

ENTRADA FRANCA

 

 

 

Quem passa pela Rua Frei Caneca, logo depois do Estácio, e observa o grande conjunto habitacional que já abrigou um complexo penitenciário por 160 anos (1850 - 2010) não faz ideia de que no local funciona uma instituição de grande relevância histórica. Do passado, restam mais que o suntuoso pórtico de entrada e os altos muros de pedra fixados a óleo de baleia, ambos do século XIX, protegidos e tombados pelo patrimônio histórico. Nos fundos da antiga prisão, onde funcionava o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (no segundo andar do atual Instituto de Perícias), foi inaugurado, no começo deste ano, o Museu Penitenciário, cujo acervo faz uma passeio pela história do sistema penal no Rio de Janeiro, com destaque para os registros fotográficos, documentos e objetos variados do antigo Complexo Penitenciário da Frei Caneca, com registros fotográficos.

 

 

No local já funcionava, desde 1986, uma espécie de centro da memória. Quando o presídio foi implodido, o acervo passou para a Escola de Gestão Penitenciária, na Rua Senador Dantas, no Centro. Mas, desde o começo do ano, o acervo voltou para o local de origem, na Frei Caneca.

Logo na entrada da unidade, o visitante se depara, primeiramente, com uma foto do muro histórico do presídio, construído para a Casa de Correção da Corte (primeiro nome do complexo), inaugurada em 1850.

O passeio começa com registros fotográficos das primeiras prisões de um Brasil ainda colonial. Na cadeia do Aljube, uma masmorra ficava na antiga Rua da Prainha (atual Rua do Acre) e servia de prisão para padres que cometiam delitos; a Cadeia Velha, onde hoje está situada a Alerj; e fortalezas, como a de Gragoatá, em Niterói.

Só após a chegada da Corte, em 1808, começa-se a pensar em fazer uma casa de correção nos moldes europeu e americano, devido à precariedade e às condições sub-humanas das prisões. Mas o projeto só se tornaria realidade 42 anos depois. No acervo do museu está a planta original da Casa de Correção.

A Casa de Correção passou por uma reforma em 1907, registrada numa placa, outro item do acervo.

— A partir daí, a Casa de Correção passa a se chamar Presídio Federal. Quando o Rio deixa de ser Distrito Federal, os dois presídios que integravam a unidade passam a se chamar Mílton Dias Moreira e Lemos de Brito. Depois, as unidades Pedrolino de Oliveira e Nelson Hungria e o Sanatório seriam incorporados ao que passou a ser conhecido como Complexo da Frei Caneca. O Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico passou a funcionar em 1921.

Entre os itens que remetem à história do complexo da Frei Caneca estão teodolitos (antigo instrumento de precisão óptico que mensura ângulos, usado nas reformas do presídio); fotos de detentos e de visitas de autoridades; livros de visitantes e registros de aniversários e datas festivas; medalhas; objetos ilícitos apreendidos com internos e visitantes durante revistas, como armas brancas e celulares; e uniformes usados nas unidades desde o início do sistema.

 

 

No Museu Penitenciário há ainda um espaço dedicado somente ao psiquiatra Heitor Carrilho, idealizador do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, inaugurado em 1921, sendo o primeiro do ramo na América Latina. Diversos livros da biblioteca de Carrilho estão expostos, além de um busto dele, fotos e objetos utilizados no extinto manicômio.

Quem visita o local pode assistir, em um auditório, a um vídeo que conta a história das prisões no Rio. Outro espaço é destinado ao antigo presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande, demolido em 1994, famoso por abrigar presos políticos das ditaduras getulista e militar. Nos livros de registros há a história de presos políticos que estiveram na unidade, com assinaturas e documentos que retratam a época, objetos e fotos da implosão.

 

Mais do que um simples centro de memória, o Museu Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro propõe à sociedade uma discussão sobre a privação de liberdade. Também uma reflexão sobre o árduo e perigoso trabalho do inspetor penitenciário, considerando que não há um entendimento correto da sociedade em relação à importância das pessoas que trabalham dentro das unidades prisionais, o museu mostra um pouco dessa realidade.

 

O museu funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h. A entrada é franca. Informações: 2333-7472.