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Presos divulgam suposta “denúncia” de regalias e reclamam “opressão” na cadeia

17/04/2019 23:18:01  

 

“Isso daqui não entra com família. Isso daqui vem da mão da polícia”. A acusação é de um grupo de presos do Presídio Romeiro Neto localizado em Magé, num vídeo gravado por marginais que exibem material supostamente entorpecente e aparelhos celulares, atribuindo o ilícito a um suposto “conluio” com a direção da unidade prisional. Ao contrário do que afirma o grupo de presos, em apenas 20 dias à frente da direção do presídio o inspetor penitenciário Vidal, juntamente com sua equipe de trabalho, apreendeu 2 visitas de preso que tentaram entrar na unidade prisional com material entorpecente, além de surpreender outros 3 presos com grande quantidade de droga. Todos foram encaminhados à Delegacia Policial da área para Registro de Ocorrência pelo cometimento de crime. 

 

Também, num período de 14 dias foram apreendidos 79 aparelhos celulares, 959 invólucros de erva seca (maconha) picada, 108 tabletes de erva seca (maconha) prensada, 246 papelotes de cocaína e 11 invólucros de pó branco, supostamente material entorpecente. Isso demonstra que a nova direção do Presídio Romeiro Neto, em Magé, não tem medido esforços para bloquear a entrada de objetos e materiais ilícitos na unidade prisional, embora conte apenas com sete inspetores penitenciários na turma de plantão, para a custódia, segurança e vigilância de 1469 presos do efetivo carcerário.

 

Na manhã desta quarta-feira (17) foi realizada uma operação no Presídio Romeiro Neto que contou com a participação de 80 inspetores penitenciários. Foram apreendidos 140 aparelhos de telefone celular e drogas. Segundo dados da nova gestão da Seap, desde que foi desencadeada a operação "Asfixia", no início desse ano de 2019, já foram apreendidos 3.034 celulares, 1.137 chips, 18 roteadores, dois rádios transmissores, 23.912 papelotes de cocaína, 11.927 de haxixe, 25.802 papelotes de maconha, 66 comprimidos de ecstasy e 230 anabolizantes.

 

Foram identificados como autores do vídeo os presos Alan dos santos Araújo, Calderón Alves do Nascimento, Carlos Diego da Silva, Thiago Cipriano Traga, Pedro Eduardo Sá Conceição, Paulo Henrique Dutra Teixeira e Wellington Ricardo da Silva Borges. De acordo com o depoimento de um dos detentos, o intuito das imagens veiculadas na internet era prejudicar a direção do presídio, como represália pela “opressão” que alegam serem vítimas na unidade prisional. Os presos foram encaminhados para registro na Delegacia Policial e um procedimento de sindicância foi aberto.

Fica evidente, depois de uma apuração mínima, que uma  matéria dessa natureza divulgada nas redes sociais e de forma sensacionalista pela imprensa tinha como intenção (dos denunciantes) expor profissionais que vêm combatendo crimes  cometidos com a cumplicidade de visitantes e no interior da Unidade. A árdua missão dos agentes penitenciários de frustrar a prática de crimes por vezes os tornam alvo dos  presos e de alguns visitantes cúmplices que ao terem  seus objetivos frustrados desancam a realizar denúncias infundadas.

Mas, para os que conhecem a lógica das prisões a partir da ótica do preso, logo perceberam que tinha "algo de  podre no Reino da Dinamarca". Como toda tragédia, as prisões nos mostram o lado mais obscuro da natureza humana e Hamlet de Shakespeare nos deixou esse ensinamento. Porém, não vingaremos a tentativa de vilipendiar nossa honra. Continuaremos cumprindo o nosso mister com galhardia, sujeitando todo o efetivo daquela e de todas a Unidades Prisionais aos ditames da lei.