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Diretoria do SindSistema leva demandas da categoria ao novo secretário da Seap

30/01/2019 01:19:27  

A diretoria do SindSistema Penal RJ foi recebida na terça-feira (29) pelo novo secretário da Seap, coronel PM Alexandre Azevedo, no prédio da Central do Brasil, sede da Secretaria de Administração Penitenciária. Participaram da reunião os subsecretários Geral; de Gestão Operacional; de Gestão Estratégica; e de Tratamento Penitenciário, inspetores penitenciários Leonam Leão, Rodrigo José de Almeida, Lindinaldo Moraes dos Santos e Gilson Sebastião Nogueira, respectivamente. Também o corregedor da Seap, Delegado de Polícia Federal Fábio Marcelo Andrade, e a inspetora penitenciária Maria Rosa Lodurca Nebel, chefe de gabinete.

Durante a reunião foram apresentadas reivindicações da categoria como a reposição das perdas inflacionárias; a necessidade de concurso público e/ou aproveitamento dos concursados aprovados nos certames de 2003, 2006 e 2012, para diminuir o déficit nas turmas de plantão; a urgente regularização do pagamento do RAS dos servidores penitenciários; o transporte dos servidores lotados nas regiões Norte, Noroeste e Sul Fluminense, entre outras demandas.

Sobre o RAS, Azevedo tomou ciência da questão e se comprometeu em ir pessoalmente buscar soluções com o governo. Sobre a questão do transporte dos servidores lotados nas unidades prisionais mais distantes o secretário incumbiu o subsecretário de Gestão Operacional de fazer um levantamento do quantitativo de servidores por escala, para ver a possibilidade de utilização de uma Van doada pelo MPRJ, bem como sanar a transferencia do veículo para a Seap junto ao Detran.

Para cada demanda Azevedo se mostrou solícito em resolver tudo que estiver dentro de suas atribuições como secretário de Estado, e fez questão de pontuar que para ele não é nenhuma novidade trabalhar no sistema, que conhece desde os tempos do Desipe quando foi diretor da Cadeia Pública Jorge Santana, e também quando dirigiu o presídio Ary Franco, em Água Santa. Azevedo frisou que não tem ligação política com ninguém. “Meus convites sempre foram técnicos. Eu fui convocado para uma missão com objetivo específico, de identificar e formar um banco de talentos, preparar a estrutura para se autogerir, preparar a gestão para ter a organização toda da casa. A minha missão foi essa, e é o que vou fazer”, concluiu.

O presidente do Sindicato, Gutembergue de Oliveira, disse que nada melhor do que as ações para demonstrar os discursos pronunciados. E resgatando o Curso de Gestão Penitenciária em pós-graduação financiado pelo Depen, realizado pela Uerj na Seap com os servidores, Gutembergue lamentou que nunca ninguém buscou essa qualificação desses profissionais para tentar trazê-los num banco de talentos, como disse Azevedo. "O que a gente vê é um mau aproveitamento. As demandas vão se sobrepondo umas às outras, e como as necessidades são prementes a gente tem que atuar nesse cenário. O investimento na qualificação dos servidores acaba sendo preterido”, complementou Gutembergue.

A reunião dessa terça-feira inaugura um diálogo “olho no olho” com o coronel Azevedo, nomeado pelo governador para comandar a pasta do Sistema Penitenciário do Estado. “Essa diretoria não é de palanque, é de trabalho”, enfatizou Gutembergue revisitando os momentos da pior crise que esse estado já vivenciou e como essa diretoria manteve as relações institucionais com o respeito e blindagem da categoria para que não fosse usada da pior maneira por pessoas que enxergam no “quanto pior, melhor”. Além, do cuidado de não causar à categoria danos ainda maiores. Cabe destacar que foi através do diálogo e da ponderação que a atual diretoria conquistou vitórias significativas, como o retorno da Casa de Repouso na Ilha Grande, o destravamento das progressões verticais por merecimento e por tempo de serviço, o acautelamento de armas e distintivos da categoria, o desarranchamento do SOE, a convocação de servidores, o resgate do código de aposentadoria pela LC 57/89, entre outras vitórias.

Para o secretário Azevedo, a Seap não vai andar por completo se não atender toda a parte técnica. “Enquanto servidor a gente tem que discutir essa realidade, porque quanto mais o quadro estiver qualificado, quanto mais outros servidores falarem a mesma língua, quanto mais a instituição estiver sólida, com missão específica, sabendo onde está, qual o caminho quer seguir e onde ela quer chegar, isso é ideal para todo mundo”, disse convicto de que isso só se consegue com união, “olho no olho”, e acreditando na palavra empenhada, e não no que terceiros dizem. “Também, com a humildade de saber que de repente a minha opinião não vai ser a melhor. Eu vou acertar, vou errar. Todo mundo da minha equipe”, confidenciou Azevedo certo de que o diálogo, a humildade de que as ideias não são absolutas e que o caminho tem que ser trilhado por todos, com a compreensão de que as opiniões divergentes sempre vão existir.

“Porque se a gente polarizar nas opiniões vai virar um caos, e vamos passar um período que a gente poderia ter um relacionamento produtivo, buscando um objetivo, tendo aquela discussão, cada um querendo ser o dono da razão, quando não existe o dono da razão”, salientou Azevedo sintetizando que a atuação deve acontecer da base da pirâmide para o cume. “Eu não faço nada, quem faz é o guarda. A gente aprendeu a andar nessa linha tênue do risco no serviço, da obrigação de voltar pra casa e estar presente na família”, ponderou.

Terminada a reunião estabeleceu-se que a complexidade e as soluções para o sistema penitenciário parte de um trabalho conjunto, tanto dos representantes do governo como da categoria e de seus representantes, e que as divergências na atuação deverão ser discutidas por ambas as partes com foco na valorização da instituição e, consequentemente, na valorização dos seus servidores.