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PERFIL DO EX-SECRETÁRIO ANDRÉ CÁFFARO

12/01/2019 19:35:22  

Natural do Rio de Janeiro, 52 anos, André Cáffaro Andrade ingressou no serviço do Sistema Penitenciário em 1994. Antes de assumir a Coordenação da Saúde Ocupacional da SEAP, ele trabalhou nas galerias do Presídio Milton Dias Moreira e da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (PO), no antigo Complexo Penitenciário da Rua Frei Caneca. Trabalhou também na Penitenciária Alfredo Tranjan, no Serviço de Operações Especiais-SOE/GSE e no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho.

 

Foi em serviço na Turma de plantão que André Cáffaro passou por situações que o marcaram profundamente, como a notícia de que seria pai pela primeira vez e a descoberta de um câncer avançado e devastador que ceifou a vida de sua jovem esposa aos 27 anos, deixando-o com um bebê de apenas 10 meses para criar. Tal experiência talhou o inspetor penitenciário a compreender melhor as agruras pelas quais passam os inspetores penitenciários na chamada “Turma de miolo”.

 

Aprovado também para a PCERJ ele optou por ficar na SEAP, impossibilitado de cursar a Acadepol, em razão do falecimento da esposa e não ter com quem deixar o filho à noite para estudar. Foi quando passou a trabalhar na área de saúde da SEAP, no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho. “Foi uma época muito difícil. Foi um ano muito sofrido. No SOE/GSE eu tinha a condição de acompanhar o tratamento quimioterápico da minha esposa e recebi todo apoio dos colegas que foram muito solidários comigo. Após o falecimento dela também pude contar com grande apoio do então Coordenador Santos. Isso não vou esquecer nunca”, relembra Cáffaro. A ida para trabalhar no Hospital Heitor Carrilho, se deu por causa do horário, para poder melhor se dedicar ao filho bebê. "Amava o SOE. Lavava a minha alma. Era outro ritmo. Época do Dentinho, Mathias, Guru-Guru, Ailton Rui, pessoal da antiga. Lá era meu tratamento psicológico, onde eu desestressava”, recorda.

 

Já formado em Odontologia antes de ingressar concursado no Sistema Penitenciário, no ambulatório da Central do Brasil ele implementou um serviço ambulatorial que não existia na Coordenação de Saúde Ocupacional, com atendimento nas áreas de Clínica Médica, Gastroenterologia, Cardiologia, Oncologia, Odontologia, Psicologia, Psiquiatria e Serviço Social, visando o bem estar físico, mental e social do servidor. Oriundo de família de médicos, sempre teve a preocupação de auxiliar os colegas Isaps que não contavam com nenhuma Assistência Hospitalar, e até mesmo com orientações burocráticas junto ao serviço de perícia do Estado.

 

 

CASO MELGAÇO

Um caso emblemático que contou com o importante auxílio do inspetor penitenciário André Cáffaro, na Saúde Ocupacional, foi a destreza e perseverança no atendimento ao inspetor penitenciário Thiago Melgaço que se envolveu num grave acidente com a viatura do SOE/GSE, em Japeri, em 28 de agosto de 2016.

 

No retorno de apresentação médica de presos, próximo à Base do SOE no Complexo de Japeri, com o peso do colete e do fuzil, aliado à falta de manutenção da viatura cuja porta lateral estava sem o trinco, o inspetor penitenciário Melgaço perdeu o equilíbrio e caiu da viatura. No acidente, ele bateu forte com a cabeça no chão e precisou ser socorrido pelos companheiros.

 

Após retornarem os presos para a unidade prisional, a equipe levou Melgaço para atendimento no Centro Médico de Japeri, mas por falta de equipamento necessário ele foi transferido para o Hospital da Posse. Em Nova Iguaçu, inicialmente o equipamento de Tomografia não estava funcionando, mas voltou a funcionar, e no mesmo dia o servidor foi atendido e internado. Com o auxílio do chefe do SOE, à época, Robson Lobo, e a importante ajuda do Isap Cáffaro, foi possível realizar o exame e a cirurgia que teve duração de 8 horas.

 

Melgaço ficou internado 24 dias no Hospital da Posse, sob a escolta de segurança do SOE. Ele perdeu massa muscular, não falava e precisou fazer fisioterapia, fonoaudiologia e atendimento psicológico no Centro Internacional de Neuroreabilitação e Neurociências Sarah, onde foi submetido à nova cirurgia. A esposa de Melgaço explicou que o marido teve que cerrar o crânio para controlar o inchaço do cérebro. “Ele ficou com muitos coágulos e teve o crânio guardado na barriga para recolocação depois de estabilizado”, contou Patrícia. Atualmente o servidor está aposentado.