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NOTA DE REPÚDIO: POR MAIS ÉTICA NO JORNALISMO

01/12/2018 23:32:37  

“Em 20 minutos, tudo pode mudar”.  Ao contrário do que diz esse jargão, basta muito menos. Principalmente se a má-fé e a má intenção de notícias veiculadas sem a devida apuração, aliadas ao total desconhecimento da matéria relatada, se põem a destruir anos de trabalho e dedicação de servidores no cumprimento das tarefas a eles destinadas, conforme aconteceu em mais esse caso onde a administração exonerou, do cargo em comissão, servidores penitenciários altamente operacionais, sob a alegação da “preservação”, sem nem ao menos defender a honra desses inspetores penitenciários perante a opinião pública.

Irresponsabilidade, incoerência e até leviandade, foi o que se ouviu na suposta “notícia em primeira mão” trazida pelo diretor de jornalismo do Grupo Band Rio, e âncora da BandNews FM, Rodolfo Schneider, na noite da sexta-feira, dia 30 de novembro de 2018.

“Olha que situação maluca: Dois servidores da Secretaria de Administração Penitenciária foram afastados dos cargos e há uma investigação agora pesada internamente em cima deles porque em outubro, no mês passado, eles levaram um preso (...) para o funeral do pai dele (...), um dos maiores bicheiros, um bicheiro forte na região de Olaria, na Zona Norte”. Foi desse jeito que, sem o menor pudor de verificar a exatidão de sua fonte, o jornalista divulgou uma notícia recheada de incongruências.

Schneider prossegue em sua nota carregada de negligência e inverdades, dizendo que apesar da dupla negativa da autorização, tanto judicial quanto administrativa, os dois servidores resolveram, “à revelia”, levar dentro de uma viatura oficial o preso (condenado a uma sentença de 18 anos por homicídio qualificado), para o sepultamento do pai. Pior, afirma na matéria que a Seap já teria comprovado os fatos e abriu uma investigação “que pode culminar com a perda de cargo definitivamente, na expulsão deles como servidores públicos da Seap”.

Na (des)informação seguida de uma lista absurda de afirmações equivocadas, Schneider prestou um completo desserviço à população, além de fazer ilações delirantes que não trouxeram informação pertinente, mas serviu apenas para atacar a honra e a moral desses dois servidores penitenciários com histórico de relevantes serviços de segurança pública prestados à população do estado do Rio de Janeiro. Ao contrário do que foi veiculado, e segundo a Lei de Execução Penal em seu artigo 120, que define os critérios para autorização de saída do preso da unidade prisional, mediante escolta, para condenados que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto, e mesmo os presos provisórios, poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, no caso de falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão; e também diante da necessidade de tratamento médico. A Lei é clara ao definir que a permissão de saída será concedida pelo diretor do estabelecimento prisional onde o preso se encontra. E mais, consigna em seu Artigo 121, que a permanência do preso fora do estabelecimento terá a duração necessária à finalidade da saída.

No caso em questão, o preso teve autorização do diretor da cadeia para ir ao sepultamento, com aval da própria Secretaria de Administração Penitenciária. O procedimento foi devidamente registrado em livros próprios, conforme os documentos apresentados, numa ação em que os servidores Wallace e Pate foram meramente executores da autorização concedida.

Cumpre esclarecer que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro se pronunciou dizendo que a apreciação do requerimento deveria ser formulada ao diretor da unidade prisional. Também, a juíza, ao indeferir o pedido consignou em seu despacho que “Tais indispensáveis critérios para uma eventual concessão do pedido só podem ser apresentadas pela autoridade administrativa do sistema penitenciário, que além de avaliar todas essas questões, deveria ainda providenciar o transporte e a segurança do interno”.

Sobre a ilação feita em matérias veiculadas em outros órgãos de comunicação, cabe esclarecer que a viatura saiu do Complexo Penitenciário de Gericinó às 14h e 15min., com chegada no cemitério do Caju às 15h e 29min., e retorno às 15h e 55 min., e ingresso em Gericinó às 17 horas. Tudo registrado no livro de portaria da unidade prisional. Ocorre que a viatura utilizada nesse episódio estava disponibilizada em razão da escolta de um preso que seria transferido de uma Penitenciária Federal para o Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio. Diante da comunicação de atraso pelo Depen nessa operação a viatura foi utilizada no transporte do preso até o cemitério.

Intercorrências como essa são mais comuns do que se imagina. O déficit de servidores impõe que a chefia também realize determinadas tarefas, quando necessárias, como ocorrido nesse evento. O comportamento do jornalista Schneider demonstra uma total falta de ética no seu papel de formador de opinião ao induzir seus ouvintes a acreditarem que os servidores penitenciários agem com a mesma maledicência com a qual ele agiu na veiculação dessa matéria.

Se realizasse um jornalismo com diligência, não arriscaria a credibilidade de seu trabalho, colocando-a em xeque, se é que se importa com isso. Ou será que o açodamento em garantir audiência e anunciantes o tornaram insensível, ao ponto de que garantir o próprio emprego justifica denegrir a reputação alheia?

Assim, o jornalista “âncora” foi, no mínimo, de uma falta de ética atroz. Mas, para que ética com a vida do outro se o que lhe vale é garantir a sobrevivência nesses tempos de desemprego. Afinal, fazer ilações de que o fato tenha se dado de forma suspeita e atrelar o trabalho dos servidores penitenciários como irresponsáveis, incitando a opinião pública com meias verdades contra o nosso trabalho, tudo pela audiência, é de uma indignidade sem proporção.

Uma boa sugestão de pauta para a BandNews talvez fosse o acordo celebrado pela Seap e o TJRJ num belo exemplo da política de estreitamento de relações institucionais, defendido pela atual diretoria do Sindicato, que estabeleceu que as apresentações judiciais de presos agora aconteçam de forma regionalizada, ao contrário do que acontecia num passado recente em que esses mesmos servidores do Serviço de Operações Especiais eram obrigados a cortar o Estado de Norte a Sul, para o atendimento de uma demanda cada vez mais crescente de trabalho.


Fato é que, devemos honra e aplauso aos Agentes/Inspetores Penitenciários que, a despeito de todas as dificuldades na tarefa, muitas vezes contam somente com o talento, a perspicácia, a sagacidade, e uma certa dose de sorte na realização das tarefas que lhes são designadas. E, apesar de todo o trabalho realizado para que a máquina continue a funcionar, deixam a invisibilidade apenas para serem apontados na primeira nota mentirosa veiculada, onde todo esforço se apaga, seja em razão de matérias levianas, Fakenews, ilações nocivas nas redes sociais.

Cabe destacar que, esses servidores a quem Schneider tenta, inclusive, induzir os ouvintes dizendo que serão "expulsos", para dar maior ênfase à sua infame reportagem, não incorreram em nenhum tipo de infração, já que amparados pela legalidade de seus comportamentos e ainda que a administração se negue em defendê-los publicamente, dizendo nos bastidores querer preservá-los, a diretoria do SindSistema não abdicará em defender todo servidor injustamente acusado.