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Sem hipocrisia: pra quem não sabe, pra quem não viu

11/03/2018 12:22:09  

Todos os setores dentro de uma unidade prisional têm papel específico e essa engrenagem interfere diretamente no cotidiano carcerário. Daí a necessidade de se esclarecer alguns pontos fundamentais em torno dos últimos acontecimentos relacionados ao “local” para visita íntima dos presos de Benfica (e de outras unidades prisionais também), para não permitir que suposições estigmatizem ainda mais os agentes/inspetores penitenciários, uma vez que é impossível abordar o assunto sem considerar que a relação imposta pela execução da pena afeta tanto aos inspetores quanto aos internos por ser de convivência e diária.

 

(...) o Sistema Penitenciário está se tornando um local não de retribuição de um dos pilares da pena, mas um local onde o preso passa uma temporada.  Nós vemos muito desconhecimento do que seja verdadeiramente a operacionalização do Sistema Penitenciário e as atividades atribuídas aos inspetores”.

 

Na entrevista concedida ao programa Domingo Espetacular, da Rede Record, o presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal do Rio de Janeiro, Gutembergue de Oliveira, chama a atenção para as ilações e recortes distorcidos que foram veiculados sobre a matéria, explica os critérios para a concessão do “direito”, fala sobre o desconhecimento que ainda impera em relação ao sistema penitenciário e reitera o respeito que deve haver entre as instituições.

 

O presidente do SindSistema Penal RJ, inspetor penitenciário Gutembergue de Oliveira gravou entrevista na sede do Sindicato, para programação do dia 11 de março, no Domingo Espetacular da Rede Record.

 

“A pressão e a temperatura são muito altas no ambiente carcerário”, pontua o presidente do SindSistema Penal. Destaque-se que a concessão da visita íntima aos presos serve também como mecanismo de arrefecimento do ambiente carcerário e existe na maioria das unidades prisionais, sendo do conhecimento dos órgãos ligados à execução da pena. Ressalte-se que tal concessão bem serve aos governos como compensação pela incapacidade de tratar o Sistema Penitenciário com a devida responsabilidade. 

A lista dos presos que têm direito à concessão da visita íntima não é feita por inspetores penitenciários. Esse controle é feito pela equipe técnica multidisciplinar que presta o suporte nas unidades prisionais. “Viabilizamos o acesso aos direitos, abrimos cadeados, fechamos cadeados, damos acesso a médicos, à enfermagem, à visita, ao pátio de visita, ao banho de sol, às refeições, à biblioteca, aos serviços e mais a custódia, vigilância e segurança da unidade prisional ”, esclarece Gutembergue.

Ele conclui dizendo que sempre irá defender e representar a categoria naquilo que é seu papel. “Nós temos mazelas sim, nós temos problemas sim, nós temos problemas de corrupção sim, mas aonde que não tem? Eu não tenho problema de falar de corrupção no sistema penitenciário, porque aqui não é instituição que acoberta pessoas que tem desvio de conduta. Gerenciamos o caos”, finalizou.

 

A VISITA ÍNTIMA EM NÚMEROS (Amostragem)

Em quase todas as unidades prisionais do sistema existem esses espaços (cubículos) direcionados à visita íntima. Para usufruir da concessão a visitante precisa comprovar o vínculo marital ou a união estável, ser cadastrada na Seap e realizar uma série de exames médicos. Todo o processo é acompanhado pela assistente social e pela equipe técnica multidisciplinar da unidade prisional. O preso tem que estar classificado no comportamento disciplinar positivo e também passa por exames médicos e palestras sobre doenças sexualmente transmissíveis.

“Não tem nada escondido. Tem coisas relacionadas ao sistema que são ignoradas pelos leigos. Inclusive, deixar bem claro aqui que o MP sabe disso, que a Defensoria sabe disso. Se o Gaesp não sabe...”, ponderou o presidente do SindSistema Penal RJ.

 

O Sistema Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro abriga atualmente 52 mil presos onde só caberiam 26 mil, com a agravante de um quantitativo deficitário de inspetores penitenciários. Daí, a própria administração se valer do mecanismo da visita íntima para esfriar a temperatura do caos representado. “Nós temos que dar acesso a esses direitos, sob pena de sermos taxados de insensíveis, torturadores que não gostam de dar acesso a direitos. Direitos esses que nos são impostos”, constata Gutembergue.

 

Instalações para visita íntima de presos da Cadeia Pública Paulo Roberto Rocha, no Complexo Penitenciário de Gericinó. Foto Divulgação 

 

Interior de um dos "cubículos" para visita íntima dos presos da Cadeia Pública Paulo Roberto Rocha, no Complexo Penitenciário de Gericinó.

 

Para o presidente do Sindicato, o Sistema Penitenciário está se tornando um local não de retribuição de um dos pilares da pena, mas um local onde o preso passa uma temporada.  “Nós vemos muito desconhecimento do que seja verdadeiramente a operacionalização do Sistema Penitenciário e as atividades atribuídas aos inspetores”, resume.

 

 

http://www.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo;jsessionid=2BC2F6B925A604DC14DF029E02102993.lportal2?p_p_id=exibeconteudo_INSTANCE_2wXQ&p_p_lifecycle=0&refererPlid=11702&_exibeconteudo_INSTANCE_2wXQ_struts_action=%2Fext%2Fexibeconteudo%2Frss&_exibeconteudo_INSTANCE_2wXQ_groupId=132926&_exibeconteudo_INSTANCE_2wXQ_articleId=3999329