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Dentista particular é flagrado por Isaps tentando entrar em penitenciária com ilícitos

03/02/2018 23:36:28  

Os aparelhos de telefonia celular, com acessórios, cartões de memória e pen drives, estavam em posse do odontologista que fazia atendimento particular a sete presos do Comando Vermelho, com autorização da VEP.

 

Na sexta-feira, dia 2 de fevereiro, inspetores penitenciários do Grupamento de Portaria Unificada apreenderam materiais ilícitos em posse de um dentista autorizado pela Vara de Execuções Penais a prestar atendimento odontológico particular a sete presos da Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho (Bangu III B), no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste.

 

Destinada aos presos da facção criminosa Comando Vermelho, a unidade prisional é de Regime Fechado e reúne diversos apenados considerados de alta periculosidade. Com um efetivo carcerário de cerca de 970 internos a unidade conta, esporadicamente, com um único dentista do Estado para atender toda a massa carcerária, com exceção dos internos Arilson Lúcio Neves, Felipe dos Santos, Gerônimo de Rezende Oliveira, Livaldo José da Silva, Marcos Antonio da Gloria Fontes Júnior, Roberto Carvalho Knupp Júnior e Wagner Araújo da Conceição que, curiosamente, foram autorizados judicialmente a receberem tratamento dentário particular, pago não se sabe por quem. 

 

O dentista, dono de consultório particular no Centro do Rio e que não possui nenhum vínculo com a Seap, foi autorizado através de documentação expedida pela Vara de Execuções Penais para ingressar na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho com seu próprio “equipamento de trabalho”.  Flagrante fragilidade e perigo à segurança da unidade prisional, o mesmo dentista teria sido autorizado pela justiça a prestar seus serviços particulares também em outras unidades prisionais de Gericinó e algumas dessas autorizações são datadas de 2015. O serviço era prestado nas dependências da área técnica que não conta com instalação de serviço de monitoramento eletrônico, provavelmente para preservar a “integridade e intimidade” do efetivo carcerário. Mas, mesmo com todas as dificuldades e condições inadequadas de trabalho, a equipe de revista da Portaria Unificada de serviço naquela unidade, juntamente com a equipe da Superintendência de Inteligência do Sistema Penitenciário (Sispen) foram responsáveis pela apreensão. 

 

De acordo com a dinâmica descrita em RO circunstanciado na 34ª Delegacia de Polícia (projeção) no Complexo Penitenciário de Gericinó, ao ser perguntado se portava algum material de entrada proibida no estabelecimento penal, o mesmo disse que não. No entanto, ao serem revistados os pertences do “profissional”, os inspetores penitenciários encontraram primeiro um aparelho celular acondicionado no bolso do jaleco que estava dentro da bolsa do dentista. Depois encontraram outro celular escondido num dos estojos destinados ao material esterilizado utilizado pelo dentista. Mas isso não era tudo. Ao examinarem a maleta de equipamento odontológico, com a ajuda de equipamento de Raios-X de bolsa, foram detectados outros materiais ilícitos escondidos num fundo falso.

Mesmo diante do flagrante e da clara tentativa de fragilizar a segurança da penitenciária, o dentista foi liberado para se apresentar ao 17° Juizado Especial Criminal, em data a ser marcada. Intrigante observar que, no grupo de traficantes autorizados pela VEP a receberem o referido atendimento odontológico particular, a quadrilha já se conhecia antes de ir para a cadeia. Oriundos da Cidade Alta, em Cordovil, acusados de comandar transações de armas e entorpecentes, um deles já esteve preso em presídio de segurança máxima em Mossoró.