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Djanira Dolores Montenegro, 60 anos de história penitenciária

28/10/2017 22:28:16  

Djanira Dolores Montenegro nasceu em 11 de janeiro de 1936, no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro. Filha do policial Militar Euclides Emídio de Oliveira, três vezes presidente da Associação dos Cabos e Sargentos da Policia Militar, viúva de agente penitenciário Gilberto Cândido de Oliveira, mãe de quatro filhos, formou-se em Administração de Empresas na Simonsen, e entrou para o Sistema Penitenciário em 1957 quando foi a 1ª colocada no primeiro Concurso Federal para “Guarda de Presídio”. Na época, havia apenas três unidades prisionais em Bangu, duas no Complexo da Frei Caneca e o Presídio da Ilha Grande. Naquele tempo a função de Guarda de Presídio era especificamente “a chave e o cadeado”. Havia outros profissionais que desempenhavam atividades específicas dentro das unidades prisionais, como o Oficial Administrativo, o Datilógrafo , a Servente, o Almoxarife, a Telefonista, os Enfermeiros, os Médicos, Papiloscopistas. O uniforme era impecável: “inspirado no uniforme dos Bombeiros da Alemanha”, orgulha-se Djanira.
Ela trabalhou na unidade prisional feminina Talavera Bruce, também no Esmeraldino Bandeira (que antigamente era o SAE – Setor Agro Industrial), no Sanatório Penal, no Presídio de Água Santa, e no Hélio Gomes. No lugar do Complexo Penitenciário de Gericinó, apenas chácaras e uma estrada de terra batida. Ela se lembra que para trabalhar lá era necessário estar às 7 horas da manhã na estação de Bangu, onde o camburão (Coração de Mãe) fazia o transporte para saída e entrada de plantão dos servidores que saiam e chegavam para desempenhar suas tarefas.
Após sofrer um trauma na unidade prisional em que trabalhava, Djanira enfrentou problema psiquiátrico e, ao ser atendida pelo serviço médico, foi atestado que ela não poderia mais trabalhar dentro da unidade prisional, sendo a primeira Guarda de Presídio a ser lotada como chefe do Serviço de Órgãos Transferidos, ocasião que coincidiu com a transferência da Capital do país, do Rio de Janeiro para Brasília. 
No então Desipe, Djanira trabalhou orientando os funcionários que passaram de servidores Federais para Estaduais, e tiveram que se adequar à nova legislação e enquadramento. Mesmo com todas as restrições e machismo daqueles dias, Djanira estabeleceu um organizado banco de dados no Departamento Pessoal onde trabalhou por muitos anos e possibilitou o cadastramento e revisão de diversos processos de reajuste de pensão de várias pensionistas.
Djanira é mãe de quatro filhos, sendo sua primogênita Sonia Ferreira Barroso também inspetora penitenciária (já aposentada); Marcos Vinicius Cândido de Oliveira, inspetor penitenciário e Coordenador de Classificação na Seap; Edson Cândido de Oliveira (Policial Civil) e a caçula Marcela Cândido de Oliveira, profissional liberal. Aposentada desde 31 de maio de 1989, ela foi morar nos Estados Unidos da América onde permaneceu até 1994. Em território americano, Djanira trabalhou o tempo todo, foi recepcionista de uma Companhia de táxi, trabalhou numa firma de limpeza de navios, e até como costureira, época em que abriu uma firma de costura e de pequenos reparos em roupas. Mas, ao descobrir a doença severa do esposo, resolveram voltar para o Brasil para estarem mais próximos dos familiares e amigos, deixando um neto em território americano onde vive até hoje.

De volta ao Brasil, em dezembro de 94, perdeu o esposo que faleceu em junho de 1995.
Depois de longos 8 anos fora do país, Djanira se confrontou com muitos anos de pensão defasada e começou a movimentar-se para corrigir a situação, fato que atraiu as viúvas e colegas de serviço. Antes de se aposentar, Djanira participou de chapa para eleição de diretoria do Sindicato, em 1988. Foi nesse ano que as pessoas começaram a procura-la para tratar dessas correções, quando em razão da demanda de trabalho criou a Associação dos Guardas de Presidio Inativos e Pensionistas do Ministério da Justiça do Antigo Distrito Federal, para representar os pensionistas.

Uma vida inteira de trabalho dedicado ao sistema penitenciário, atualmente aos 81 anos de idade, a inspetora penitenciária aposentada Djanira Dolores Montenegro, completa 60 de matrícula e é na verdade o anjo a quem as pensionistas lembram-se com muito carinho e gratidão.

Pelo senso de responsabilidade, espírito de equipe, lealdade, profissionalismo, zelo, dedicação e comprometimento com o Serviço Público, não medindo esforços para o cumprimento das tarefas a ele destinadas, além de estar sempre atento ao quesito de segurança e disciplina, é que apresentamos a presente homenagem.