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Diretoria SindSistema estreita relações com Divisão de Homicídios

10/06/2017 18:14:59  

Delegado Rivaldo Barbosa parabeniza Diretoria pela iniciativa de aproximação na busca pela elucidação dos homicídios de inspetores peniteniários.

 

Na quinta-feira (8), a diretoria do SindSistema esteve reunida com o delegado Rivaldo Barbosa, diretor da Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A Divisão de Homicídios é vinculada ao Departamento Geral de Polícia Especializada (DPGE) e engloba as três delegacias de Homicídio do Estado (Capital, Baixada e Niterói).  O encontro teve por objetivo estreitar laços institucionais, também para a obtenção de informações mais precisas sobre o andamento dos inquéritos que envolvem o assassinato de inspetores penitenciários.

No ano de 2016 foram registrados oito casos de assassinato de inspetores penitenciários no Rio de Janeiro. Ao estabelecer esse contato direto, buscamos respostas na elucidação dos fatos e melhoraria da comunicação.

O diretor Secretário Odonclei Boechat falou da angústia dos colegas. “Colegas são assassinados e eu vejo que essas mídias sociais, embora ajudem em parte, hoje em dia têm um lado muito negativo, pois quando acontece uma situação as cobranças são instantâneas”, pontuou Odonclei. “A Diretoria do sindicato é bombardeada pela categoria no desejo de esclarecimentos. Só que é preciso buscar a informação. Não podemos responder em mídia social ou fazer um pronunciamento oficial sem saber o que aconteceu. A gente também não pode se guiar pelas mídias sociais”, complementa Odonclei.

João Raimundo do Nascimento, vice-presidente do SindSistema destacou que, nessa  parceria em busca de informações verídicas, para prestar respostas à categoria, existe o cuidado do colegiado sindical em não atrapalhar as investigações em curso. “Tem quem ache que nós somos muito lentos para passar uma informação, mas não podemos replicar informação de zap, também porque nessa hora aparecem muitas especulações e fofocas. É informar o que pode ser informado, porque muitas informações são sigilosas”, pontuou o vice-presidente Raimundo que destacou a importância de mostrar para a categoria que as instituições trabalharão para a elucidação do crime.

O delegado Rivaldo Barbosa agradeceu aos sindicalistas pelo contato. “Vocês são a primeira instituição que vem à DH para esse estreitamento. Estão de parabéns pela iniciativa”, disse Barbosa.

O diretor de Defesa de Classe, Marcos Ferreira de Lima, destacou que é um privilegio ser a primeira instituição a buscar esse contato direto com a Divisão de Homicídios. “Mas queremos agradecer pela excelente recepção que tivemos de toda sua equipe”, disse.

O desaparecimento do inspetor penitenciário Sergio Alexandre é o segundo caso na atual gestão do sindicato e é preciso dar uma resposta à categoria, bem como alento para a família do servidor. A comprovação do óbito do inspetor penitenciário Vicente da Rocha Pitta foi possível através de exame de DNA. Outro caso anterior foi o do inspetor penitenciário Delcio da Fonseca Caseca, desaparecido em 1 de outubro de 2013 e até hoje sem solução. “Quando o corpo não aparece o sofrimento da família é muito maior, até porque não tem a possibilidade do sepultamento. É outra dor quando a família fica desassistida, no caso da morte presumida”, destacou Marcos.

No encontro foi debatida a necessidade de se amparar a família dos servidores que passam por esse trauma. “A morte tem o começo, meio e fim. Quando o corpo não aparece você não se despede do corpo, não encerra. Isso é a pior dor. A dor de uma mãe que perde um filho é a pior dor que pode existir”, aquiesceu o delegado Rivaldo. Outra reunião será marcada nos próximos dias, dessa vez com a presença da diretoria do SindSistema e familiares dos inspetores penitenciários assassinados, para um conhecimento da atual situação dos inquéritos e respostas àqueles que sofreram a perda brutal e precoce de seus entes.

Para Gutembergue de Oliveira, presidente do SindSistema-RJ, é momento da categoria romper o casulo no qual esteve durante muito tempo. “Somos da área de Segurança Pública sem ter o reconhecimento", assinalou. "Trabalhamos para que a categoria tenha uma interação com outros órgãos e instituições. Queremos dar à nossa categoria o reconhecimento jurídico e constitucional que ela deseja, mas não apenas isso. É preciso valorização", destacou Gutembergue.


“Buscamos parceria entre as instituições e o senhor representa uma importantíssima instituição para a sociedade. Não queremos ser mortos, mas não dar uma dignidade, uma prestação de quem fez, o que fez e por que fez? Não queremos formar milícia para matar nossos algozes, a gente quer que as instituições funcionem”, encerrou Gutembergue.

 

Ao final da reunião os diretores do sindicato entregaram um documento ao delegado Rivaldo Barbosa reivindicando o encaminhamento de solicitação de criação de Delegacia Especializada de Combate a Crimes contra Agentes de Segurança Pública, com atribuição específica de investigar crimes de homicídios e latrocínios consumados e/ou tentados contra servidores de carreira das  Polícia Civil (PCERJ), e Militar (PMERJ), Corpo de Bombeiros Militar (CBMERJ), Agentes socioeducativos (Degase) e Inspetores de Segurança Penitenciária (SEAP), em conformidade com a Lei 13.142/2015, sancionada em 06 de julho de 2015, que alterou o Código Penal e a Lei de Crimes Hediondos.

Por Elisete Rosa Henriques | Inspetora de Segurança e Administração Penitenciária

Assessoria de Comunicação SindSistema-RJ.