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In Memoriam de Roberto

21/11/2020 21:55:38  

Um refúgio, um convite à meditação, preces e orações, em meio à turbulência do trabalho. Um local destinado aos policiais penais em busca de equilíbrio, leveza e oxigenação diária do ambiente, para suportar a natureza da atividade.

 

Assim é a Congregação GSSE, um dos legados do policial penal Roberto do Nascimento Corrêa, matrícula 822.612-8, vítima de um câncer que subitamente o retirou de combate. Sem um diagnóstico correto, entre a descoberta e o desfecho, foram pouco mais de três meses de batalha contra a doença, quando veio a óbito durante internação no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, no último 14 de novembro.

 

Muito querido por todos que o conheceram, Roberto costumava prestar suporte espiritual a todas as pessoas que o procuravam. Sua prática de vida levou aos cultos e, por fim, à fundação da Congregação. A obra foi realizada em conjunto com os colegas de trabalho que compartilhavam da prática religiosa, e cotizaram recursos próprios por identificar a importância de estabelecer tal conquista.

 

Em meio ao senso comum, que estigmatiza a categoria como um grupo de pessoas sem instrução, desprovida de conhecimento acadêmico, empatia, ou virtudes, Roberto, formado em fisioterapia, ensinava que a evolução pessoal e espiritual é tarefa individual de cada um.

 

Ele costumava dizer que “a vida é essa grande mágica”. E, também, que “engana-se quem pensa que somos seres carnais. Somos seres espirituais com experiências terrenas, cujas obras que realizamos nesse plano é o que nos credencia para o mundo espiritual”.

 

Recebido no Sistema Penitenciário na Frei Caneca, nos idos de 1997, Roberto trabalhou por 18 anos na Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho (Bangu 4), e era um dos inspetores de serviço quando houve uma tentativa de fuga e rebelião naquela unidade prisional. Também trabalhou no Presídio Muniz Sodré antes de ser lotado no Grupamento de Serviço de Segurança Externa (Muralha).

 

Considerado pelos amigos como uma pessoa ímpar, exemplo de vida que dedicou em ajudar o próximo, além da função policial desempenhada na segurança penitenciária, Roberto era diretor no Orfanato Lar Frei Luiz, na Taquara, onde ajudava a cuidar de 65 crianças às quais dedicava muito respeito, amor e carinho.

 

Neste sábado (21), familiares e amigos mais próximos estarão prestando uma última homenagem, na casa onde Roberto amava estar nos finais de semana, em Nova Friburgo, onde serão derramadas as cinzas de sua cremação.

Sua alma descansa nos braços do Pai Celestial.