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ARY FRANCO, a imagem que ninguém quer ver

06/10/2020 21:34:24  

Inaugurado há 46 anos, com celas subterrâneas, sem janela, sem luz e sem ventilação, onde policiais penais convivem 24 horas do dia, nos subsolos destinados a presos da facção Comando Vermelho, o Presídio Ary Franco é considerado uma das piores unidades prisionais do Rio de Janeiro. “Uma masmorra do século passado, da Idade Média”, definida para abrigar 958 (novecentos e cinquenta e oito) internos, mas que possui uma população carcerária de 1575 (Mil, quinhentos e setenta e cinco) presos. Portanto, com mais de 64% acima de sua capacidade de ocupação.

 

Com um dos acessos pelo Morro do Dezoito (vizinho do Morro do Camarista Meier e do Morro da Caixa D´água), a unidade prisional está localizada num entroncamento das Ruas Monteiro da Luz, Violeta e Paraná, no bairro Água Santa, nas proximidades da Linha Amarela e de várias outras comunidades que continuam se expandindo e, recorrentemente, apresentam guerra de facções.

 

Além do constante risco e ZERO cinturão de segurança, o local que deveria ser encarado como ÁREA RESTRITA, apresenta total exposição dos policiais e demais profissionais que lá trabalham, por fatores como intenso tráfego de veículos e fácil observação externa, o que exige extrema atenção do servidor e eleva, em muito, o nível de estresse diuturno.

 

Com os portões do presídio de cara para a rua, o que ainda salva a situação de risco enfrentada por esses trabalhadores é a presença da base do SOE/GSE, que anteriormente situava-se no antigo Complexo da Frei Caneca (demolido justamente pela extrema proximidade a comunidades de risco, entre outros fatores, como vive o presídio de Água Santa). Uma bomba-relógio, cujo colapso vem sendo driblado pela garra, gerenciamento de crise e compromisso com a função desempenhada pelos policiais penais (e servidores de apoio), que compõem o quadro funcional desse órgão ainda tão invisível, mas tão necessário à Segurança Pública do Estado.