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Chamada para o bom senso

06/10/2020 21:02:42  

Em matéria veiculada na segunda-feira (5), no jornal SBT Rio, sob o título “Cinegrafista é agredido por agente penitenciário”, e reprisada na terça-feira (6), sob o título “Profissional fazia cobertura jornalística quando foi covardemente atacado (por agente da Seap)”, é de suma importância destacar o contexto e ambiência onde a matéria foi “cavada” pelo freelancer.

 

O que a reportagem de Nathaly Ducoulombier, apresentada pela âncora Isabele Benito não mostra, são as provocações e o desacato de uma pessoa que em nenhum momento teve a presença de espírito de se identificar, que sequer apresentou autorização para filmar a imagem do presídio (e dos profissionais que lá estavam trabalhando). Fato que levou o policial penal à irritação e descontrole, creditando-lhe o início da confusão.

 

Para “chamar para a briga”, conforme disse a jornalista âncora do telejornal, antes é preciso esclarecer corretamente os fatos. A exemplo do que observou o Delegado de Polícia Civil RJ, e comentarista convidado do SBT Rio, Marcelo Carregosa, sobre o foco dado numa abordagem noticiosa que ressaltava a inocência de um auxiliar administrativo que deixou a cadeia, que fora “preso injustamente”. Cuja interpretação focava num suposto erro na prisão e descrédito no método utilizado pela Polícia Civil, na identificação (por fotografia) de criminosos. Quando, na verdade, existem outras cinco denúncias contra o personagem da história, e passagem anterior pela Polícia, conforme relatou Carregosa ao criticar o enfoque dado à matéria. Situação repetida no episódio que envolveu o freela e o policial penal. Em que pese as imagens e sons editados, não houve o contraponto do que realmente aconteceu.


 

Sem a menor noção do perímetro onde se encontrava, sem nenhuma identificação prévia (tampouco aparente), sem credencial da empresa jornalística ou logomarca de identificação no equipamento utilizado e, sequer autorização para filmar na área de segurança (que em nenhum momento pode ser confundido com “cerceamento de filmagem em local público”, (e até aquele momento) o suposto cinegrafista ignorou todos os pedidos e advertências para não fazer as imagens.

 

 

Bom lembrar que estamos falando da entrada e saída de um presídio, cujo Decreto nº. 35.527, de 27 de maio de 2004, por analogia, define como área de segurança de premente necessidade de controle com rigorosas restrições, rígida e permanente limitação de acesso de pessoas, veículos, cargas e objetos (cujo Estado não poderia prescindir na implementação de medidas necessárias à preservação da ordem pública).


 

Apesar do visível descontrole do policial penal, cabe destacar que aquela ação teve início no desacato do cinegrafista ‘freela’, que, embora tenha sido alertado por duas vezes que não poderia filmar naquele local (por ser área de segurança), em atitude de menosprezo à função exercida pelo agente público, o ofendeu com desobediência e deboche.

 

 

É possível identificar a provocação do freela ao dizer: “Deixa só ele terminar de fazer o escândalo dele aqui”.

 

Convém lembrar que tal atitude do cinegrafista constitui crime, previsto no Código Penal: Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

 

A liberdade de imprensa não deve ultrapassar o limite do respeito às instituições e ao desempenho da função de quem quer que seja. Menos ainda, com intuito leviano de construir pautas tendenciosas, e 'fabricar' imagens para vender.

 

Não que se justifique a “explosão” do agente, mas a falta de responsabilidade e de profissionalismo do freelancer, ao menosprezar a função pública exercida pelo policial, e desrespeitá-la, deu causa a tudo aquilo. Afinal, trata-se de um servidor público em seu local de trabalho, que deve ser respeitado e não provocado.

 

Jamais seremos condescendentes com atos, gestos e palavras que subjuguem qualquer pessoa ao desrespeito, destempero ou falta de urbanidade. Porém, jamais deixaremos de perseguir a verdade dos fatos, seja contra quem for ou a serviço de quem esteja.

 

Daí, Isabele, que não vamos te “chamar para a porrada”. Mas, seria de bom senso avaliar todo o contexto daquela ocorrência, e quem sabe uma visita sua ao Presídio Ary Franco, para constatar todo o estresse, desgaste emocional, cotidiano adoecedor, e os perigos aos quais esses policiais são submetidos constantemente. Bem como, as possíveis e prováveis consequências do desprezo às medidas de segurança de qualquer estabelecimento prisional. 

 

 

 

 

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