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Sem invencionices para não errar

01/10/2020 22:52:11  

NOVO GOVERNO DO ESTADO DO RIO ACENA COM RETROCESSO PARA O SISTEMA PENAL

 

Atual governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC)  - Foto: DIVULGAÇÃO/GERJ

 

 

“Medo da nuvem que vai crescendo

Que vai se abrindo

Que não se sabe

O que vai saindo.

 

Medo do vento que vai ventando

Que vai falando

Que não se sabe

O que vai dizendo”.

 

(Para não perder a lucidez na crítica, vale citar esse trecho do poema de Mário Quintana ‘Canção de nuvem e vento’, que é para o momento muito oportuno).

 

O vento traz nuvem que encobre o sol e diminui a claridade do dia.  Na SEAP, os dias têm sido de ventos fortes e nuvens carregadas. Como diz a conhecida frase do político mineiro Magalhães Pinto: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo, e ela já mudou”.  

 

Nesse momento da política fluminense, os ventos sopram e trazem maus presságios para a SEAP e, consequentemente, para os seus servidores - policiais penais e área técnica. Cogita-se a extinção da Secretaria de Administração Penitenciária, e o Sistema Penal seria incorporado numa eventual recriação da Secretaria de Justiça com outros órgãos.

 

Nuvem e vento, além dos já existentes, estariam pairando sobre o céu da SEAP, causando medo de um RETROCESSO. A extinção da SEAP, se ocorrer, será um erro crasso do novo governo. A suposta extinção estaria alicerçada num viés político, que amiúde leva ao processo de desvirtuamento do papel de um órgão com as dificuldades, complexidades e relevância como a SEAP.

 

O governo tem a prerrogativa de organizar a Administração Pública, mas deve estar atento que, no Sistema Penal, quanto menos se inventar maior é a possibilidade de um governo passar incólume.

 

Não podemos nos calar diante de tal disparate quando, na verdade, se o governo pautar-se pelo bom senso confiará aos policiais penais a administração do Sistema Penal. Tal medida, justa e sensata, tornará o sistema livre da ingerência de quadros que já cumpriram os seus papéis, sob uma lógica que não deixará saudades.

 

Como o vento que arrasta nuvem, e a política é como uma nuvem, esperamos que ela mude de formato e, por consequência, dissipe a ideia de extinção da SEAP. E mais, que o frescor do vento ainda refrigere a consciência dos governantes, com responsabilidade, sabedoria, abdicando nesse momento do pragmatismo político, atendo-se à mesma lógica de órgãos como as Polícias Civil e Militar, e manter a SEAP, sob o comando de um policial penal.

 

Simples assim, sem invencionices para não errar.

 

(Por Gutembergue de Oliveira, presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal RJ)