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A lentidão do "teste rápido" da SEAP 

13/05/2020 14:57:25  

SindSistema alerta que morosidade da SEAP na realização dos testes para detecção de Covid-19 entre os servidores potencializa contaminação de todo o Sistema Penitenciário, além do risco de danos à saúde da população fluminense.

 

 

Se hoje, dia 13 de maio, um servidor que trabalha na linha de frente na custódia, segurança e vigilância de unidade prisional do Sistema Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, com cerca de 50 mil presos, se sentir mal e conseguir ser atendido no telefone do ambulatório de Gericinó, ainda que esteja enfrentando o 8° dia de sintomas respiratórios, ou que já esteja assintomático por 72 horas, ele só vai encontrar agenda para fazer o “teste rápido” da SEAP, de detecção de Covid-19, para o dia 16 de junho.

 

Ao contrário do afastamento imediato para tratamento médico, a SEAP informou, em nota, que: “Em caso de testar positivo para a Covid-19, o servidor deverá entrar em contato com a sua unidade administrativa para a solicitação do AIM e realizar todos os procedimentos junto à Perícia do Estado”. Ou seja, ele mesmo (o servidor enfermo), encaminhar por email toda a documentação solicitada, digitalizada. E aguardar.  

 

Se depender do laudo médico do “teste rápido” de Covid-19 feito pela SEAP, para ter homologado o afastamento para tratamento de coronavírus, dependendo do cargo, o servidor terá que esperar  no mínimo 35 dias. Aos inspetores internados a Secretaria resume como "caso confirmado da doença", cuja própria SEAP afirmou em nota que, "ao ser informada do quadro clínico do servidor em caso de internação e ou falecimento vem prestando auxílio institucional quanto aos procedimentos administrativos que servidores enfermos ou familiares enlutados deverão adotar.

 

Sequer os servidores idosos foram poupados nesse tempo de pandemia. Isso demonstra a forma insensível, irresponsável e negligente como a SEAP trata seus servidores. Um mês atrás, a categoria registrou a morte do companheiro Wagner Moura (41 anos), que trabalhava no setor de custódia, no recebimento de bolsas e valores trazidos por visitantes do Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, no Complexo Penitenciário de Gericinó. Nessa terça-feira, 12 de maio, veio a óbito o inspetor penitenciário Peterson Costa de Oliveira, também de 41 anos. A SEAP não informa o número exato de servidores afastados, entre os que aguardam homologação da licença médica e os que tem atestado médico de suspeita da doença.

 

A cada dia as baixas de infectados e sintomáticos se multiplicam e a SEAP não demonstra nenhuma preocupação com seus servidores. Num universo de 5200 inspetores penitenciários na SEAP e cerca de 1400 nas turmas de plantão, o mínimo seria que a Secretaria realizasse o teste em todos os servidores que atuam na linha de frente com presos e visitantes, para identificar os contaminados pelo Covid-19 e afastá-los, imediatamente, para tratamento médico. Ao invés de deixar a critério de cada um telefonar e marcar um exame para daqui a 35 dias, quando todo o Sistema Prisional já estiver contaminado, a depender do atual protocolo adotado, de manter servidores doentes trabalhando, até baixarem num hospital. Quando só então a SEAP dará o “apoio institucional”.

 

Imaginem o apoio, de uma instituição comandada por uma cúpula de perseguidores, covardes e sem nenhum compromisso com a vida e a saúde dos servidores. Que manipula através dos cargos comissionados outros servidores a praticarem como "longa manus", ordens verbais abjetas e controle da tropa através da pressão psicológica, com punições geográficas, num jogo ardiloso dissimulado por incompetência e arbitrariedade.

 

O Sistema Penitenciário sempre foi caracterizado pelo seu lado sombrio. Mas diante dessa grave crise sanitária vivemos um momento particularmente tenebroso, onde pessoas parecem sentir um prazer mórbido em torná-lo pior, como se fossem alimentados com o sofrimento alheio.

 

Estarrecedor!!!