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Operações SEAP: Uma visão míope da realidade

11/05/2020 12:24:02  

São os inspetores penitenciários das Unidades Prisionais, em suas várias atribuições, que sustentam a operacionalidade dessa engrenagem cujos  gabinetes comprometem com pessoalidade, covardia, insensibilidade e desprezo aos que "carregam o piano" para os maestros da sinfonia do caos regerem  a orquestra chamada Sistema Penitenciário (...)

 

 

No domingo 10 de maio, Dia das Mães, amanhecemos com a notícia de operações simultâneas deflagradas por determinação da subsecretaria de Gestão Operacional, que submeteu veículos, bolsas e pessoas, prestadores de serviço, terceirizados, contratados e servidores, à revista pelo scanner corporal nas unidades prisionais do Complexo de Gericinó, Portaria Central, e em Campos. Sendo registradas ocorrências nas unidades SEAP JL, SEAP GC, e SEAP CF.

 

Aplausos. Mas, uma gestão que se quer íntegra, justa e responsável, não se faz somente com a identificação de desvios de conduta de maus servidores. É necessário, também, saber reconhecer e valorizar aqueles que diante de todas as dificuldades atuam para manter o sistema funcionando, apesar das condições aviltantes, carga excessiva de trabalho, efetivo funcional insuficiente, assédios, perseguições, e até pandemia.

 

 

Não se faz gestão apenas com cobranças. É preciso, também, condições de trabalho, para uma categoria cuja atividade se configura perigosa e insalubre vistas e sentidas só por quem trabalha. Uma operacionalidade minimamente digna se faz, também, no cuidado com a saúde física e mental de seus servidores, não os expondo a riscos desnecessários em nome da manutenção de uma engrenagem que favorece, especificamente, uma falsa percepção de ordem e comando da cúpula da Secretaria.

 

Quando na verdade são os inspetores penitenciários das Unidades Prisionais, em suas várias atribuições, que sustentam a operacionalidade dessa engrenagem cujos gabinetes comprometem com pessoalidade, covardia, insensibilidade e desprezo aos que "carregam o piano" para os maestros da sinfonia do caos regerem  a orquestra chamada Sistema Penitenciário, totalmente em descompasso com as notas de parâmetros éticos de gestão.

 

 

Sem considerar que, se aqueles que estão na ponta da lança adoecem ficam mais suscetíveis a erros e engodos de uma atividade altamente danosa, que não se compara a nenhuma outra e expõe seus servidores todo tempo à prova. Além da difícil relação de convivência 24 horas de frente com criminosos e criminalidade de toda espécie.

 

 

Uma gestão eficiente também se faz com ações naturais, como a resposta em tempo razoável para assuntos de interesses dos servidores, como A REGULAMENTAÇÃO DA POLÍCIA PENAL, A PUBLICAÇÃO DAS MERECIDAS PROGRESSÕES POR MERECIMENTO E ANTIGUIDADE, O PAGAMENTO DO RAS EM DATA FIXA, etc. Enfim, com o devido contraste que identifica, reconhece e valoriza aqueles sem os quais não há operacionalidade que se mantenha de pé.

 

 

A gestão pública demanda instrumentos eficazes para controle das ações de seus agentes, mas na SEAP funciona somente em relação ao andar debaixo, como na operação desse domingo. A visão míope dos mecanismos de controle, parece fazer crer que sujeitos à condutas ilícitas estão somente os da base da pirâmide. Quando o que vemos são os danos causados, ao interesse público, pelos ilícitos praticados por aqueles que estão no topo da pirâmide serem maquiados por ferramentas de gestão não perceptível de plano, mas ao exame minucioso, percebe-se a ruptura com a legalidade. Por isso, é fundamental que a lei valha pra todos.