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Intriga e pessoas desagregadoras podem causar grandes prejuízos às instituições

24/01/2018 08:26:05  

"Cada vez mais, comportamentos antes considerados complementares no mundo corporativo, passam a ser indispensáveis. Contudo, não é de hoje que se fala em “relacionamento interpessoal” em processos seletivos e ambiente institucional. Prefiro olhar para esse artigo de um modo mais profundo, onde podemos encontrar verdadeiras “moscas brancas” dentro das instituições. Trata-se do profissional que funciona como uma verdadeira vacina para intrigas. Esse sujeito não só evita “climas pesados” como provoca melhora significativa no ambiente (...).

Marcelo Comparin é Psicólogo com MBA em Gestão de Pessoas, Consultor de Empresas; especialista em Gestão de Pessoas e Desenvolvimento Profissional; Ministra Treinamentos e Cursos voltados para Área Comercial; Diretor Comercial da COPPINI Estratégias Humanas.
twitter.com/marcelocomparin

 


Pessoas desagregadoras podem prejudicar a equipe e a instituição. Policie-se

No primeiro século antes de Cristo, os romanos, sob o comando de Júlio Cesar, dominam toda a Gália, região que hoje forma a França. Toda a Gália? Não, pois há uma aldeia que resiste bravamente ao invasor. ” Esse é o pano de fundo das aventuras de Asterix, o gaulês, obra dos franceses Goscinny e Uderzo. Os episódios são engraçados, inteligentes e sempre mantêm relação com um fato real da História. Os gauleses são praticamente invencíveis porque dispõem de duas armas espetaculares: uma poção mágica, que lhes dá força, e a grande união entre seus habitantes, apesar das diferenças de opinião e das brigas entre eles.
Inconformado, Júlio Cesar tenta todas as estratégias para vencer os gauleses, em vão: legiões de soldados, armas modernas e até tentativas de suborno. Entretanto, uma vez a aldeia esteve muito próxima do fim. Não podendo vencê-los pela força — pois tinham a poção mágica –, os romanos resolveram provocar sua desunião. Introduziram na aldeia um indivíduo ignóbil chamado Tulius Detritus, cuja competência era criar cizânia. Esse especialista em intrigas quase foi o responsável pelo fim da aldeia. Só não o foi porque os heróis perceberam e viraram o jogo, claro.

Órgãos, empresas, estabelecimentos também têm seus Tulius Detritus, incapazes de doar um grama de boa vontade para a criação de um bom ambiente de trabalho. Suas ferramentas são a desconfiança, a indiferença, a ironia e o mau humor. E, quando chegam a cargos de chefia, acrescentam mais uma: a arrogância. Perigo à vista, pode ser o fim da aldeia! Não é necessário ser um grande especialista para entender a importância do clima organizacional. Trata-se da qualidade do ambiente interno, sentido pelas pessoas que ali trabalham, e que influi em seu comportamento, reflete na qualidade do trabalho e na percepção dos clientes.

Na empresa mais inovadora dos Estados Unidos, a Google, a capacidade de influir positivamente no clima ganha mais pontos do que a competência de gerar resultados técnicos. Por quê? A veia criativa depende de vários corações, e se algum pulsa fora do ritmo atrapalha o conjunto. Os engenheiros do Google desenvolveram um programa capaz de auxiliar a seleção de pessoas, o que inclui avaliar a capacidade que o candidato tem de conviver com a inovadora cultura de liberdade, a disposição de colaborar com a construção de um ambiente estimulante e com baixo nível de tensão, pré-requisitos para a concentração e a criatividade".

Eugenio Mussak é professor e consultor.

 

Um clima saudável aceita a diferença de opinião, a discussão acalorada e até um certo nível de estresse, mas repudia fatos desagregadores como assédio moral, intriga e estrelismos. Coisas assim não fazem parte da ordem do dia seja em instituições, empresas ou equipes sérias que têm, em sua cultura o progresso e a construção.